Era-me inconcebível amar alguém que (ainda) não existe. Mas assim que te quisemos, amámos-te.
E amo-te todos os dias, todas as noites, a todo o instante.
Amei-te quando te desejei, e desejei-te muito antes de saber o que era amor verdadeiro. Amo-te porque só tu serás verdadeiramente meu; o meu tesouro. Meu e do pai. Tu, meu anjo que virás alegrar os nossos dias.
Quero poder sentir-te a crescer na minha barriga e ver os olhos do pai a brilhar quando sentir o teu primeiro pontapé; quero ter-te nos meus braços como fruto delicado de um amor mútuo. Quero, pela primeira vez em muitos anos, que as minhas dores sejam o resultado de algo bom, uma consequência de felicidade extrema.
Mas sabes, meu anjo, tenho dores desde que me lembro.
Tenho dias bons em que me sinto forte e capaz de carregar o mundo nas costas, e ainda sorrir para quem passa (obra dos medicamentos fortes que a mãe tem de tomar). Mas também há os dias em que a simples tarefa de escovar o cabelo me faz chorar, e nem o sono me dá a recuperação necessária para enfrentar um novo amanhecer.
Mas gosto de crianças desde que me lembro também. Gosto do cheiro dos bebés, gosto das surpresas constantes, da inocência do seu sorriso, do brilho contagiante dos seus olhos. E quero viver isso na primeira pessoa. Quero poder chamar um bebé de meu, e proteger esse pequenino ser cheio de vida. Quero, pela primeira vez em muitos anos, que as minhas dores não tenham importância, quando comparadas à felicidade de te ouvir chamar-me de mamã.
E por isso te quero tanto, meu bebé. Quero-te muito mais do que alguma vez serei capaz de te explicar. Porque sejam os dias bons ou maus, uma coisa é comum a todos eles: o desejo de te ter!
Mas tenho medo! Tenho tanto medo...
Medo de não ser suficiente para ti, meu amor. Medo de não ser capaz de fazer de ti um bebé feliz. Medo de falhar nesta luta diária contra o cansaço, as dores e a insegurança... Mais que isto tudo, tenho medo de não conseguir enfrentar a possibilidade iminente de não ter forças para te segurar no colo, de te dar banho, de brincar contigo!
Mas prometo, meu anjo, que nada te faltará!
Eu e o papá queremos-te muito. E nada nos fará desistir de te ter. És e sempre serás o nosso maior desejo. O nosso único e verdadeiro amor.
Por isso cortei o cabelo, e curto ficará até que saibas andar; assim, os meus braços apenas se preocuparão com a tarefa de te abraçar. E por isso deixei também os medicamentos, que me dão tanto sono; assim poderei partilhar os teus dias com o pai.
Prometo que nunca te faltará o amparo e carinho necessários.
Compreende, meu tesouro, que não digo nada disto para te alarmar; apenas quero que saibas que farei sempre tudo o que estiver ao meu alcance para que sejas feliz. Afinal, só isso chegará para mim e para o papá.
Amo-te daqui ao sol, e serás sempre o sol dos nossos dias!
Amo-te daqui ao sol, e serás sempre o sol dos nossos dias!

Sem comentários:
Enviar um comentário